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A crise financeira e as Alterações Climáticas são duas das principais questões que preocupam Björn Stigson, presidente do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). Consultor do Governo Chinês, do Dow Jones Sustainability Index e da Global Reporting Initiative, só para nomear alguns, o líder desta associação global foi considerado a nona Personalidade Mais Influente do Mundo em Ética Empresarial pela revista Ethisphere em 2007. Acredita que só as empresas sustentáveis irão sobreviver, pelo que quer afirmar o WBCSD como uma plataforma em que as empresas podem partilhar conhecimento para o Desenvolvimento Sustentável.
SGS: O que significa, para si, o conceito de Ética Empresarial?Björn Stigson: A Ética é um reflexo dos Valores, e estes são os mesmos quer nos negócios quer na vida pessoal. Não existe uma Ética “Empresarial” à parte. As empresas não podem ser bem sucedidas em sociedades ou sistemas que falham. Cada vez mais, a capacidade para uma empresa exercer a sua actividade, inovar e crescer é determinada por questões de Sustentabilidade, como as Alterações Climáticas, o progresso social e o equilíbrio dos ecossistemas. Actualmente, o próprio mercado é definido e moldado por estas questões.
SGS: A Responsabilidade Corporativa tem de ser “cara”?B.S.: No WBCSD vemos que as empresas conseguem criar oportunidades através das suas práticas sustentáveis e da sua transparência. Por isso acreditamos que as empresas que integram a Sustentabilidade nos seus processos serão as líderes do futuro, e que este investimento será dinheiro bem gasto!
SGS: Estamos no caminho certo para a Sustentabilidade?B.S.: Não. Demos os primeiros passos, mas as tendências do business as usual não nos vão levar a um futuro sustentável. É necessário mudar. É necessário ainda muito trabalho, por exemplo nas negociações para um entendimento global pós-2012 sobre as Alterações Climáticas; na valorização da biodiversidade como um custo integrado das actividades empresariais; e em cada um de nós alicerçar a sua própria existência em estilos de vida sustentáveis.
SGS: Então, os empreendedores do século XXI ainda não têm consciência do que é ser sustentável?B.S.: Os(As) empresários(as), como toda a gente, têm mais contacto com estas questões, especialmente depois da grande cobertura mediática de factos como os relatados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas em 2007, que atribuem a responsabilidade pelo aquecimento global à acção humana, o relatório de Nicholas Stern "STERN REVIEW: The Economics of Climate Change", ou o documentário “Uma Verdade Inconveniente” de Al Gore. O WBCSD acredita que as empresas líderes globais no futuro serão aquelas que desenvolvem o seu negócio de forma a lidar com os maiores desafios mundiais. É com este objectivo que trabalhamos com as empresas há 14 anos e temos notado uma consciência crescente, uma conclusão por parte das empresas que o Desenvolvimento Sustentável é o único caminho seguro para proteger o seu futuro.
SGS: De que forma se consegue sensibilizar mais empresas?B.S.: Para se falar com empresários é necessário utilizar linguagem empresarial. Criar um futuro sustentável significa operar mudanças na sociedade que tenham impacto nas estratégias e nas operações das empresas. Mais uma vez, o WBCSD demonstra às empresas como o Desenvolvimento Sustentável as torna mais competitivas, mais resistentes e flexíveis num mundo em rápida mudança e como conquistar e fidelizar clientes. Também ilustramos a forma como o Desenvolvimento Sustentável as ajuda a conseguir e a manter os melhores cérebros do mercado, e como as torna mais atractivas a investidores e seguradores, reduzindo o seu risco a diversos níveis.
SGS: Em que consiste o grande valor de “partilhar ideias”, como normalmente refere?B.S.: Partilhar é aprender. Podemos sempre aprender com as experiências dos outros em praticamente tudo o que fazemos. No WBCSD, definimos o Desenvolvimento Sustentável como formas de progresso que satisfazem as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem as suas próprias necessidades. Este é um objectivo importante, e tudo o que nos possa ajudar a alcançá-lo, ou a consegui-lo mais depressa, deve ser partilhado.
SGS: Que papel desempenham os Sistemas de Gestão na concretização e sensibilização para o Desenvolvimento Sustentável?B.S.: De uma forma geral, os Sistemas de Gestão ajudam-nos a perceber se estamos no bom ou no mau caminho. Mas para realmente acrescentarem valor, os Sistemas de Gestão e a sua Certificação têm de se basear em critérios relevantes para o core business das empresas.
SGS: Considera que os Relatórios de Sustentabilidade, bem como a sua Verificação Independente, são elementos importantes para a Responsabilidade e para a Transparência Corporativas?B.S.: Sim. As empresas globais, que actuam num contexto globalizado, têm de estar abertas a questões que são de relevância material para a sua actividade e para os seus stakeholders. No WBCSD acreditamos que as questões da Sustentabilidade se estão a tornar centrais para a estratégia e para a actividade das empresas, pelo que recomendamos que sejam integradas e reportadas de forma transparente no seu relatório anual. Aliás, a prática de reportar a Sustentabilidade tem crescido e é já um elemento normal para o negócio das empresas com presença global. E para que sejam credíveis, defendo que os Relatórios de Sustentabilidade, à semelhança dos Relatórios de Contas, necessitam de ser verificados por organismos independentes.
SGS: Tem encorajado as empresas a criar o seu próprio Plano de Sustentabilidade. Quais são os principais obstáculos que tem enfrentado nestes últimos anos?B.S.: Tem sido difícil por vezes, mas há mais empresas e há mais pessoas em todo o mundo a entender a necessidade urgente de abraçar o Desenvolvimento Sustentável.
Suspeito que estamos prestes a enfrentar o maior obstáculo desde há muitos anos. As empresas operam num contexto extremamente complexo, com regulamentações constantemente actualizadas e com condições muitas vezes difíceis. Mas a actual crise financeira vai criar condições particularmente ainda mais difíceis para algumas empresas. No entanto, as empresas que optaram por um modelo sustentável, que têm vindo a desenvolver as suas actividades com os olhos postos no futuro, essas deverão aguentar a tempestade, enquanto que outras não terão essa sorte.
SGS: Quais são as prioridades actuais do WBCSD?B.S.: A prioridade do WBCSD é sempre o Desenvolvimento Sustentável. Se as empresas o praticarem, então estarão numa posição melhor para enfrentar qualquer desafio. De momento, isto significa que estamos a trabalhar em diversas frentes, nomeadamente a fazer ouvir a nossa voz no acordo pós-Protocolo de Quioto, a quantificar os recursos naturais que as empresas utilizam (água e polinização, por exemplo), e a mitigar a pobreza promovendo formas inclusivas de gerir as empresas.
E em Portugal?O BCSD Portugal pretende acrescentar valor às empresas, apoiando-as na concretização das vantagens reais para o seu negócio decorrentes da adopção dos princípios e das práticas do Desenvolvimento Sustentável. Luís Rochartre, secretário-geral, reforça a importância da actuação empresarial no caminho para a Sustentabilidade.
SGS: Como avalia a evolução dos Relatórios de Sustentabilidade publicados em Portugal?Luís Rochartre: Tem havido um desenvolvimento notável do número de Relatórios de Sustentabilidade publicados. Mesmo nós, que nos dedicamos à promoção da sua realização de uma forma activa, surpreendemo-nos com a quantidade da resposta. Quanto à qualidade, penso que há ainda um caminho a percorrer, que se prende principalmente com um mais perfeito entendimento destas questões pelas empresas e ainda com o aperfeiçoamento das estratégias de sustentabilidade das empresas.
SGS: Que papel pode desempenhar o BCSD Portugal junto das PME?L.R.: O BCSD Portugal não tem uma vocação orientada para a dimensão das empresas, tendo contudo, enquanto membros, uma maioria de grandes empresas e grupos económicos. Este facto leva a que tenhamos dado prioridade, como seria natural, a trabalhar com os nossos membros, logo com as grandes empresas. No entanto, temos traçado na nossa estratégia o objectivo de alcançar as PME, pois reconhecemos a sua grande importância na estrutura da nossa economia.
SGS: O sector público ainda está demasiado afastado das práticas sustentáveis?L.R.: Algumas empresas do sector empresarial do Estado têm vindo a evoluir de uma forma muito firme na adopção de estratégias e políticas de sustentabilidade. Temos ainda um conjunto restrito de empresas que entenderam esta agenda e desenvolvem políticas alinhadas com as práticas e os princípios do Desenvolvimento Sustentável, tanto na área privada como na pública. Contudo, se nos reportarmos à administração pública e a outras entidades públicas, aí sim, o afastamento das melhores práticas é muito grande.
SGS: As temáticas da Responsabilidade Social e do Desenvolvimento Sustentável são uma tendência que veio para ficar?L.R.: Não tenho a convicção, mas sim a certeza que a prossecução dos princípios e das práticas de Sustentabilidade são o único caminho viável que as empresas, e a sociedade em geral, têm para garantir a perenidade da vida na Terra. A nossa visão de um futuro sustentável contém a resolução dos constrangimentos globais sob os quais vivemos hoje, por exemplo, emissões de carbono, disponibilidade de água, pressão sobre os ecossistemas e os serviços que proporcionam, pobreza e acesso a níveis aceitáveis de qualidade de vida, infra-estruturas e serviços equitativamente acessíveis, bem como condições equilibradas de produção e de consumo.
Mais sobre o WBCSD e o BCSD PortugalO Grupo SGS foi um dos membros fundadores do WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), uma associação global liderada por CEO's, dedicada exclusivamente às empresas e ao Desenvolvimento Sustentável. Com cerca de 200 associados provenientes de mais de 35 países e 20 sectores industriais, o WBCSD tem uma rede global de 112 conselhos empresariais e parceiros regionais.
O BCSD (Business Council for Sustainable Development) Portugal é uma associação sem fins lucrativos, criada em Outubro de 2001 pela iniciativa das empresas Sonae, Cimpor e Soporcel, associadas do WBCSD, em conjunto com mais 33 empresas de primeira linha da economia nacional. A SGS Portugal associou-se ao BCSD Portugal em 2004.
MissãoFazer com que a liderança empresarial seja catalisadora de uma mudança rumo ao Desenvolvimento Sustentável e promover nas empresas a eco-eficiência, a inovação e a responsabilidade social.
O Grupo SGS é o líder mundial no domínio da Inspecção, Verificação, Análise e Certificação. Fundada em 1878, a marca da SGS está estabelecida como símbolo e referência em qualidade e integridade. Com mais de 55,000 funcionários, a SGS opera uma rede de mais de 1,000 escritórios e laboratórios em todo o mundo.